São Paulo–Bruxelas: o voo direto que faltava entre o Brasil e a Bélgica
Pela primeira vez, a LATAM liga os dois países sem escala em 12 horas — voo inaugural com 100% de ocupação
Existem rotas que não são apenas rotas. São declarações. No dia 1º de junho de 2026, um Boeing 787-9 Dreamliner decolou do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com destino a Bruxelas. A bordo: trezentos passageiros, cem por cento de taxa de ocupação, e a certeza de entrar na história da aviação civil latino-americana. A LATAM Airlines Brasil inaugurava naquele dia sua nova rota direta entre São Paulo e Bruxelas, registrando um voo inaugural com lotação esgotada e fazendo da capital belga seu 27º destino internacional direto a partir do Brasil. Pela primeira vez em um século de aviação comercial, o Brasil e a Bélgica passaram a estar a doze horas de voo um do outro — sem escala, sem conexão, sem aquela espera interminável num aeroporto intermediário.

Uma exclusividade mundial
Com essa nova operação, a LATAM se torna a única companhia aérea a oferecer voos diretos entre o Brasil e a Bélgica. Esse monopólio de fato não é pouca coisa: significa que quem quiser ligar São Paulo a Bruxelas em linha reta tem apenas uma opção. E essa opção, dado o índice de ocupação do voo inaugural, era esperada há muito tempo.
A rota é operada três vezes por semana — segundas, quartas e sábados — com aeronaves Boeing 787-9, configuradas para 300 passageiros: 270 na cabine Economy e 30 na Premium Business. A duração do voo é de aproximadamente 12 horas. O 787-9 Dreamliner é uma das aeronaves de longa distância mais confortáveis e eficientes em combustível de sua geração — uma tecnologia que permite ligar duas capitais econômicas em dois continentes com uma regularidade e uma eficiência que as aeronaves de geração anterior não possibilitariam.

Bruxelas, centro estratégico da Europa
A escolha de Bruxelas como novo destino não é fruto do acaso ou do oportunismo comercial. É uma decisão estratégica que reflete uma leitura precisa da geografia econômica e institucional da Europa contemporânea.
Bruxelas abriga as instituições da União Europeia e da OTAN, e concentra um fluxo de viajantes particularmente diversificado: turistas de lazer, executivos de empresas, diplomatas e funcionários internacionais, especialmente no período de verão europeu. É uma cidade-mundo em miniatura — capital política de um continente, hub econômico de uma região, e destino cultural e gastronômico que atrai milhões de visitantes europeus e de outros continentes a cada ano.
Derick Barboza, diretor de Aeroportos da LATAM Brasil, explicou a lógica dessa escolha: “Encontramos ali uma oportunidade de atender a um mercado muito diversificado, do público corporativo aos turistas, passando pelo frete.” Esse triplo público-alvo — negócios, lazer e carga — é exatamente o que torna a rota viável no longo prazo, independentemente dos ciclos sazonais que fragilizam as rotas exclusivamente turísticas.
Um acordo de codeshare que multiplica os destinos
A rota São Paulo–Bruxelas é muito mais do que um voo. É a porta de entrada de uma rede muito mais ampla, tornada acessível graças a um acordo estratégico firmado algumas semanas antes da inauguração. A LATAM fechou um acordo de codeshare com a Brussels Airlines, membro do Grupo Lufthansa, permitindo aos passageiros das duas companhias emitir um único bilhete para viajar do Brasil a 17 destinos operados pela Brussels Airlines a partir de Bruxelas.
Na prática, o passageiro compra um único bilhete no Brasil e continua sua viagem para cidades importantes da Europa com integração completa — check-in único, despacho de bagagem até o destino final e conexões otimizadas. Bruxelas deixa de ser um destino final para se tornar um hub — uma porta de entrada para uma Europa mais ampla, a partir de uma única poltrona de embarque em Guarulhos. Para o viajante brasileiro que queria chegar à Escandinávia, aos países bálticos, à Europa Central ou a alguns destinos africanos atendidos pela Brussels Airlines, a equação em tempo e conforto acaba de mudar.

O frete: cem toneladas por semana entre dois continentes
A dimensão de passageiros é apenas a face visível dessa rota. Por trás dela existe uma realidade logística de enorme importância para as economias dos dois países. O voo amplia a capacidade logística entre o Brasil e a Bélgica, com potencial de transporte de mais de 100 toneladas de carga por semana — especialmente produtos farmacêuticos de alto valor agregado na importação, e mercadorias brasileiras na exportação para a Europa Ocidental e o norte do continente.
A Bélgica é um dos maiores polos farmacêuticos da Europa — UCB, Solvay, Janssen e outros laboratórios de destaque têm suas sedes ou centros de pesquisa no país. O Brasil, por sua vez, exporta produtos agroalimentares, matérias-primas agrícolas processadas, produtos siderúrgicos e uma gama crescente de bens manufaturados de alto valor agregado. Essa rota não liga apenas duas cidades — ela liga duas economias que até agora precisavam de uma escala para se falar.
LATAM, a maior ponte aérea entre o Brasil e a Europa
Essa inauguração faz parte de um movimento muito mais amplo. Em 2026, a LATAM opera 90 voos semanais de e para dez pontos estratégicos na Europa: Amsterdã, Barcelona, Bruxelas, Frankfurt, Lisboa, Londres, Madri, Milão, Paris e Roma. É uma presença continental que poucas companhias aéreas fora da Europa conseguem ostentar a partir de um único hub.
No mercado internacional, a LATAM mantém sua posição de companhia que mais conecta o Brasil ao exterior, com voos próprios para mais de 90 destinos fora do país, incluindo 25 rotas diretas. No segmento corporativo, a companhia manteve em 2025 sua liderança pelo terceiro ano consecutivo, com participação de 41,7% no faturamento e 39,2% no volume de passagens emitidas no setor.
Para o viajante: Bruxelas como ponto de partida
Para quem lê o Brasil à Table — seja francês, belga, suíço ou simplesmente apaixonado pelo Brasil — essa rota abre uma janela nova. A partir de Bruxelas, com o codeshare da Brussels Airlines, a rede de destinos acessíveis desde São Paulo se amplia consideravelmente, facilitando as viagens tanto para turistas quanto para viajantes de negócios.
Para o brasileiro que sonha com a Europa, Bruxelas está agora a doze horas de Guarulhos — e de Bruxelas, toda a Europa se abre com uma conexão. Para o europeu que quer descobrir o Brasil, São Paulo ficou acessível sem o desconforto de uma escala. E para os dois, o Boeing 787-9 Dreamliner — com sua cabine pressurizada numa altitude equivalente mais baixa, sua iluminação circadiana, suas janelas panorâmicas e sua redução significativa de ruído a bordo — transforma doze horas de voo em algo que parece menos uma obrigação e mais um prelúdio.

Brasil à Table — O Brasil não se explica. Se experimenta.
