TAP e Vila Galé: os dois pilares portugueses que estão abrindo o Brasil ao mundo
Há alianças que mudam o mapa de um país. A de TAP Air Portugal e do grupo hoteleiro Vila Galé no Brasil não está escrita em contrato algum — mas se lê, voo após voo, hotel após hotel, nos números de um turismo internacional que nunca esteve tão dinâmico.

Lisboa como encruzilhada do mundo
“Lisboa conecta toda a Europa ao Brasil — você pode partir de qualquer país europeu, fazer escala em Lisboa e chegar a qualquer estado brasileiro”, resume Pedro Ribeiro, diretor comercial do Vila Galé. Uma frase aparentemente simples — e, no entanto, diz tudo.
O que Pedro Ribeiro descreve é um ecossistema. Uma mecânica precisamente ajustada, na qual a companhia aérea portuguesa e o grupo hoteleiro português funcionam em conjunto — não por acordo formal, mas por lógica estratégica compartilhada: trazer os europeus ao Brasil, instalá-los nas melhores condições possíveis e dar-lhes vontade de voltar.
Em 2026, essa mecânica funciona a pleno vapor.

TAP: 60 anos de Brasil, e é apenas o começo
O Brasil representa cerca de 30% das receitas da TAP Air Portugal. Em volume de passageiros, o país respondeu por cerca de 2 milhões dos 7 milhões de viajantes transportados pela TAP em 2025, consolidando-se como o principal mercado da companhia fora da Europa. Números que dizem uma coisa sem ambiguidade: sem o Brasil, a TAP não seria a mesma companhia.
Com suas novas operações, a TAP passará a atender 15 cidades brasileiras e projeta transportar 2,1 milhões de passageiros entre o Brasil e a Europa em 2026 — cerca de 100 mil a mais que no ano anterior. Segundo o CEO Luís Rodrigues, “o Brasil não está saturado. Ainda há muito a fazer. O Brasil serviu muito bem a companhia nos últimos 60 anos e vai continuar servindo ainda melhor nos próximos 60”.
Não é retórica de executivo. É a constatação lúcida de uma companhia que entendeu, antes de muitas outras, que o Brasil é um dos grandes mercados aéreos do século XXI — não apesar de sua complexidade, mas justamente por causa de sua diversidade.
Na rota Florianópolis-Lisboa, os resultados foram “espetaculares”, segundo Carlos Antunes, diretor da TAP Air Portugal para as Américas, que anunciou um aumento nas frequências, passando de três para quatro voos semanais a partir de julho de 2026. O próximo passo: alocar ali o Airbus A330-900neo, a maior aeronave da frota — assim que o aeroporto ampliar sua pista.

Vila Galé: 25 anos de convicção brasileira — e 900 milhões de razões para continuar acreditando
Em 2026, o Vila Galé celebra os 40 anos de sua fundação e os 25 anos de sua chegada ao Brasil. “Durante todos esses anos, o Vila Galé sempre acreditou no potencial do turismo em solo brasileiro — e é por isso que continuamos apostando neste país”, explica Pedro Ribeiro.
Essa aposta — mantida por um quarto de século, atravessando crises econômicas, turbulências políticas e solavancos do real brasileiro — é hoje recompensada com números impressionantes. Com 13 hotéis atualmente em operação no Brasil, o grupo prepara a abertura de oito novos empreendimentos nos próximos dois anos. O investimento total chega a R$ 900 milhões até 2028.
A geografia dessa expansão revela toda a visão do grupo: São Luís, com dois hotéis no centro histórico — entre eles o Vila Galé Collection Ópera, que abre em outubro de 2026 junto com o lançamento do voo direto da TAP saindo de Lisboa —, Alagoas, Florianópolis, Brumadinho e João Pessoa. Destinos que compartilham um DNA comum: patrimônio histórico, natureza preservada, autenticidade — e, até aqui, sub-exposição no mapa turístico internacional.
São Luís: o símbolo de uma estratégia comum
Há, na abertura simultânea do Vila Galé Collection Ópera em São Luís e do voo direto da TAP Lisboa-São Luís, algo que se assemelha a uma demonstração de força coletiva. “Essa data de inauguração coincide com o lançamento do voo direto da TAP saindo de Lisboa — o que vai nos permitir captar mais turistas de Portugal e de outros mercados europeus”, explica Pedro Ribeiro.
São Luís — capital do Maranhão, classificada como patrimônio mundial pela UNESCO por seus azulejos e sua arquitetura colonial, porta de entrada para a beleza selvagem dos Lençóis Maranhenses — era, até aqui, um destino pouco conhecido pelos europeus. Esse duplo golpe de abertura, aéreo e hoteleiro, está mudando esse cenário.
É precisamente essa a mecânica TAP-Vila Galé: uma companhia que abre a rota, um grupo hoteleiro que instala as condições de acolhimento — e, entre os dois, um destino que desperta.

O que essa aliança revela sobre o Brasil de 2026
Há algo profundamente significativo no fato de serem duas empresas portuguesas a desempenhar esse papel de ponte entre a Europa e o Brasil. Não por acaso histórico, mas por convicção estratégica construída ao longo de décadas.
“A concorrência é benéfica — ela empurra rumo à excelência e ao aprimoramento dos produtos. A presença de concorrentes que investem e criam produtos de qualidade em diferentes estados fortalece o setor e atrai investimentos internacionais”, analisa Pedro Ribeiro. Uma visão de mercado que ultrapassa em muito os interesses imediatos do grupo — e que revela uma compreensão sistêmica do que o Brasil pode se tornar como destino mundial.
O Brasil reúne hoje todos os ingredientes de um grande país turístico: biodiversidade extraordinária, gastronomia reconhecida mundialmente, cidades cosmopolitas, patrimônio histórico e cultural de riqueza rara, hospitalidade natural. O que lhe faltava era a conectividade aérea e a infraestrutura hoteleira de nível internacional para transformar esse potencial em realidade para o viajante europeu.
TAP e Vila Galé estão preenchendo essa lacuna — metodicamente, pacientemente, com a convicção tranquila de quem sabe que está construindo algo duradouro.
Os números de uma revolução em curso
A TAP projeta transportar 2,1 milhões de passageiros entre o Brasil e a Europa em 2026 — em 15 destinos brasileiros. O Vila Galé conta com 8 hotéis em construção, com aberturas previstas em até dois anos, totalizando um investimento de quase um bilhão de reais. A rota Florianópolis-Lisboa passa a quatro frequências semanais, com a ambição de alocar ali o Airbus A330-900neo.
Esses números não contam apenas uma expansão comercial. Eles contam a história de um país que se abre — e de duas empresas que tiveram a lucidez, bem antes das outras, de entender que esse país valia a pena esperar.
“O Brasil serviu muito bem a companhia nos últimos 60 anos — e vai continuar servindo ainda melhor nos próximos 60.” Luís Rodrigues, CEO da TAP, disse isso sobre sua empresa. Poderia muito bem ter dito o mesmo sobre o próprio Brasil.
Brasil à Table — O Brasil não se explica. Se vive.
