O maior armazém de cafés especiais do mundo

Há projetos que não se limitam a fazer uma empresa crescer, eles redesenham o mapa mundial de uma indústria inteira. É o caso do que Poços de Caldas, cidade do Sul de Minas Gerais já conhecida por suas águas termais e seu clima de montanha, vive hoje: em breve, receberá o maior armazém de cafés especiais do mundo.

O projeto é assinado pela Bourbon Specialty Coffees, empresa fundada em Poços de Caldas no ano 2000 e hoje referência internacional em café especial, exportando para mais de 40 países. Desde 2007, integra o grupo suíço ECOM Agroindustrial Corp., um dos líderes mundiais no comércio de commodities agrícolas.

Um investimento à altura da ambição

Os números dão a dimensão do projeto: R$ 250 milhões de investimento total, um terreno de 125 mil m² e, ao final, 42 mil m² de área construída. A primeira fase, já em obras desde maio, mobiliza 18 mil m² e R$ 120 milhões. Uma vez totalmente operacional, a entrada em funcionamento está prevista para o primeiro semestre de 2028 , o complexo terá capacidade para movimentar até dois milhões de sacas de café por ano, com capacidade de armazenamento de um milhão de sacas.

O fundador da Bourbon, Cristiano Ottoni, não esconde a lógica estratégica da escolha: Poços de Caldas foi selecionada por sua localização geográfica, sua infraestrutura logística e sua proximidade com as principais regiões produtoras de cafés especiais do país. O local vai contar até com um sistema de granelização, tecnologia que permite armazenar e transportar o café a granel, sem os tradicionais sacos de juta, uma pequena revolução logística para o setor.

A obra deve gerar cerca de cem empregos diretos, além do efeito multiplicador esperado sobre fornecedores e prestadores de serviços de toda a região.

O Brasil, cada vez mais indispensável na cena do café especial

Se o gigante do café brasileiro já é conhecido do grande público, o país segue sendo o maior produtor mundial, é a ascensão do segmento especial que hoje redesenha sua imagem no cenário internacional. Chega de café visto como simples matéria-prima: o lugar agora é de um produto de origem, rastreado, avaliado, degustado como um grande vinho.

Esse movimento vai muito além de Minas Gerais. Nas últimas semanas, uma missão comercial do projeto “Brazil. The Coffee Nation”, conduzida pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a ApexBrasil, levou 77 empresários brasileiros até a Inglaterra e depois à Bélgica, para participar da feira World of Coffee, em Bruxelas. Resultado: US$ 33,1 milhões em negócios fechados no local, e cerca de US$ 219 milhões adicionais projetados para os próximos doze meses. Um sinal claro enviado diretamente ao coração da Europa francófona.

Uma região em ascensão

Minas Gerais segue sendo, de longe, o maior produtor nacional de café especial. Mas outro estado já chama a atenção dos conhecedores: Goiás. Sem rivalizar em volume, o estado hoje apresenta a melhor produtividade de café por hectare de todo o Brasil, um indicador que traduz investimentos consistentes em tecnologia e boas práticas agrícolas. Regiões como Cristalina, Catalão, Ouvidor, Ipameri, Morrinhos e o Sudoeste Goiano, situadas em altitude, ganham reputação crescente pela qualidade de seus grãos.

Esse duplo movimento, a infraestrutura XXL de Minas Gerais e a ascensão de qualidade em Goiás, desenha um Brasil do café em duas velocidades, mas perfeitamente complementares: de um lado, a capacidade logística para conquistar o mundo; do outro, novos terroirs prontos para seduzir os paladares mais exigentes.

O Brasil não se contenta mais em exportar volume. Exporta agora expertise, infraestrutura e uma nova geração de cafés capazes de rivalizar, em sofisticação, com as melhores origens do mundo. E essa história, é nítido, está apenas começando.

Brasil à Table — O Brasil não se explica. Se vive.

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