Imóveis no Brasil: a partir de € 58 mil, Goiânia abre novas perspectivas para quem busca uma segunda residência

E se sua próxima casa estivesse no coração do Brasil? Em Goiânia, capital de Goiás, o mercado imobiliário apresenta uma alternativa aos destinos mais conhecidos do país. Para compradores francófonos que dispõem de um orçamento em euros, alguns apartamentos podem estar ao alcance de algumas dezenas de milhares de euros, dependendo da localização e das características do imóvel. Uma possibilidade a explorar para adquirir uma segunda residência, descobrir outro lado do Brasil e considerar um projeto patrimonial internacional.

Goiânia: uma nova maneira de investir no Brasil

Quando se fala em imóveis no Brasil, as primeiras imagens que vêm à mente costumam ser as de apartamentos com vista para o mar no Rio de Janeiro, residências em Florianópolis ou casas de férias no Nordeste. No entanto, no interior do país, uma metrópole também merece a atenção dos compradores europeus: Goiânia, capital do estado de Goiás.

Localizada no Centro-Oeste brasileiro, a cidade, com mais de um milhão de habitantes, é um importante polo regional de serviços, comércio, saúde, educação e atividades ligadas ao agronegócio. Seu mercado imobiliário atende, portanto, a uma demanda residencial que não depende exclusivamente do turismo.

Para um francês, belga ou suíço, o interesse por Goiânia é duplo. A cidade permite considerar a aquisição de um imóvel no Brasil sem se limitar aos mercados mais conhecidos do país. Também oferece a possibilidade de ter um endereço próprio para suas estadias, contar com um lugar familiar a cada viagem e, dependendo do projeto, avaliar a possibilidade de colocar o imóvel para alugar.

O assunto merece ser analisado para além de uma simples comparação de preços. O objetivo é compreender o que um orçamento em euros permite comprar na prática, quais bairros devem ser considerados, quais despesas precisam ser previstas e como avaliar a pertinência de uma aquisição em uma cidade ainda relativamente desconhecida do público francófono.

Quanto custa um apartamento em Goiânia em euros?

Para oferecer uma primeira referência aos compradores europeus, o Índice FipeZAP de maio de 2026, elaborado a partir de anúncios imobiliários, indicava um preço médio anunciado de R$ 8.280 por metro quadrado para imóveis residenciais em Goiânia. Em doze meses, o índice registrou uma valorização de 5,32%. A amostra compreendia 30.171 anúncios. Esses dados representam os preços pedidos no mercado, que nem sempre correspondem aos valores finais das transações.

Para esta análise, considerando a taxa de referência publicada pelo Banco Central Europeu em 16 de outubro de 2026, de € 1 para R$ 5,7197, o preço médio anunciado corresponde a aproximadamente € 1.448 por metro quadrado. Essa conversão é apenas uma referência indicativa, sujeita a variações cambiais e às condições de transferência dos recursos.

Com base nessa média, é possível calcular os seguintes orçamentos teóricos:

Área do imóvelOrçamento indicativo
40 m²Aproximadamente € 57.900
50 m²Aproximadamente € 72.400
60 m²Aproximadamente € 86.900
80 m²Aproximadamente € 115.900

Esses valores resultam da multiplicação da área pelo preço médio convertido. Não representam ofertas de imóveis efetivamente disponíveis nesses preços. O custo real dependerá, entre outros fatores, do bairro, do estado de conservação, da idade do imóvel, do andar, dos equipamentos e das características do condomínio.

Para um comprador que dispõe, por exemplo, de € 60 mil, a questão torna-se concreta: existe um apartamento adequado ao seu projeto dentro desse orçamento? A resposta exige a comparação de anúncios reais, mas a média da cidade oferece uma primeira referência para iniciar a pesquisa.

Analisar o mercado em euros muda a maneira de avaliar as possibilidades. Em vez de se concentrar em preços expressos em uma moeda estrangeira, o comprador pode comparar os valores diretamente com suas economias, sua renda e sua capacidade de investimento.

O poder de compra do euro: uma vantagem potencial, não uma garantia

Um dos elementos que tornam o mercado imobiliário brasileiro interessante para compradores europeus é a diferença entre as moedas. Os imóveis em Goiânia geralmente são comercializados em reais, enquanto um comprador que possui economias em euros pode planejar a aquisição com base em seu capital na moeda europeia.

Quando a taxa de câmbio é favorável, um orçamento em euros pode representar uma quantia significativa em moeda brasileira. Isso pode facilitar o acesso a determinados imóveis, mas não significa que todos os imóveis sejam necessariamente mais baratos do que na Europa.

A taxa de câmbio varia. Como exemplo, considerando uma taxa hipotética de R$ 5,70 por euro, um orçamento de € 50 mil corresponderia a R$ 285 mil antes das despesas de transferência. Se a taxa se tornar menos favorável, a mesma quantia em euros permitirá obter menos reais.

Essa diferença é importante, especialmente quando a compra é planejada com vários meses de antecedência. O orçamento deve ser calculado no momento da transferência, considerando a taxa efetivamente oferecida pelo banco ou pelo prestador de serviços de câmbio e as despesas associadas.

Também é necessário pensar na revenda. Um imóvel pode valorizar em reais e, ainda assim, proporcionar um resultado menos favorável quando o valor da venda for convertido novamente em euros. Por outro lado, as oscilações cambiais também podem favorecer o proprietário em determinadas circunstâncias. Nenhum desses cenários pode ser garantido.

A melhor abordagem é considerar a taxa de câmbio como uma variável do projeto, e não como uma promessa de lucro.

Quatro bairros para considerar na compra de um imóvel em Goiânia

O mercado imobiliário de Goiânia é diversificado. Os preços variam de uma região para outra, e o bairro ideal dependerá do orçamento, do estilo de vida e da finalidade do imóvel.

O Setor Marista atrai compradores interessados em imóveis de padrão elevado, restaurantes, comércio e uma vida urbana movimentada. Em maio de 2026, o preço médio anunciado nesse setor chegava a R$ 11.318 por metro quadrado, equivalente a aproximadamente € 1.979/m², considerando a taxa de conversão utilizada. Um apartamento de 60 m², calculado com base nessa média, representaria cerca de € 118.700, sem incluir as despesas adicionais.

O Setor Bueno é outra região a considerar. Sua oferta residencial e os serviços próximos podem atender a quem procura um apartamento em uma área urbana consolidada. O preço médio anunciado era de R$ 9.774 por metro quadrado, equivalente a aproximadamente € 1.709/m². Nessa média, um imóvel de 60 m² representaria cerca de € 102.500.

O Setor Sul também merece atenção por seu ambiente residencial e por suas áreas arborizadas. O preço médio anunciado de R$ 10.802 por metro quadrado equivalia a aproximadamente € 1.889/m², o que corresponderia a um orçamento teórico de € 113.300 para um imóvel de 60 m².

Outros bairros podem apresentar preços diferentes. A escolha, porém, não deve se basear exclusivamente na busca pelo metro quadrado mais barato. A acessibilidade, os serviços, a segurança da região, a qualidade do edifício, as taxas condominiais e a facilidade de revenda também precisam ser considerados.

Os dados por bairro são provenientes do índice FipeZAP de maio de 2026. Eles oferecem referências gerais, mas não substituem uma avaliação imobiliária nem a comparação com anúncios atuais.

Uma segunda residência para descobrir o Brasil de outra maneira

Para alguns compradores francófonos, o projeto imobiliário não é apenas financeiro. Ele também está ligado ao desejo de viajar, descobrir novos lugares e ter mais liberdade.

Ter um apartamento em Goiânia permitiria contar com um lugar próprio durante as viagens ao Brasil, sem precisar procurar hospedagem a cada visita. O proprietário poderia organizar suas estadias no próprio ritmo, reencontrar seus hábitos e explorar gradualmente o estado de Goiás.

A região oferece uma experiência diferente daquela encontrada nos destinos litorâneos mais conhecidos. Goiânia tem vida cultural, gastronomia regional e numerosos espaços verdes. A cidade também permite organizar viagens para destinos como Pirenópolis, com seu patrimônio histórico, e a Chapada dos Veadeiros, conhecida pelas paisagens do Cerrado, cachoeiras e trilhas.

Para um europeu que deseja conhecer melhor o Brasil, essa localização pode representar uma base interessante. Entretanto, ela não atende a todos os projetos: Goiânia é uma metrópole do interior, e não uma cidade litorânea. O comprador precisa definir se procura uma residência urbana, uma casa de férias ou um imóvel destinado a estadias mais longas.

A proximidade de lojas, restaurantes, serviços médicos e opções de transporte pode ser especialmente útil para quem utiliza a residência apenas algumas semanas por ano.

Comprar para uso próprio ou colocar o imóvel para alugar?

Um apartamento pode ser adquirido para uso pessoal, como investimento para locação ou para combinar as duas estratégias. Cada opção, porém, exige uma análise diferente.

Para uma segunda residência, as prioridades geralmente são o conforto, a facilidade de manutenção, a qualidade do condomínio e a simplicidade da administração à distância. É necessário prever as despesas mesmo quando o imóvel permanece vazio, além dos custos de manutenção e de eventuais reparos.

Para uma locação de longo prazo, a análise deve considerar a demanda por aluguel no bairro, os valores cobrados por imóveis semelhantes, os períodos sem inquilinos e as despesas de administração. A locação por temporada segue outros critérios e pode estar sujeita às regras do condomínio e à regulamentação aplicável.

Em todos os casos, é fundamental distinguir o rendimento bruto da receita líquida. Condomínio, impostos, manutenção, seguro, administração e períodos de vacância podem reduzir consideravelmente o valor efetivamente recebido.

Um proprietário que vive na França, na Bélgica ou na Suíça também precisará planejar como o imóvel será administrado durante sua ausência. Um profissional local independente pode facilitar o acompanhamento, mas seus honorários devem entrar no cálculo.

A compra de um imóvel para locação não garante ocupação permanente nem uma rentabilidade específica. Antes de tomar uma decisão, é recomendável elaborar diferentes cenários financeiros, incluindo um cenário conservador.

Um estrangeiro pode comprar um imóvel no Brasil?

Em princípio, o Brasil permite que estrangeiros adquiram imóveis urbanos, respeitadas as formalidades e restrições aplicáveis a cada situação. A compra de um apartamento urbano deve, ainda assim, ser preparada com as verificações jurídicas e fiscais necessárias. As regras relativas a imóveis rurais e a determinadas áreas específicas são diferentes.

Para um comprador não residente, o pagamento pode ser realizado por meio de uma transferência internacional, respeitando os procedimentos bancários e cambiais aplicáveis. O Banco Central do Brasil descreve as modalidades possíveis para o pagamento de um imóvel adquirido por uma pessoa não residente.

Antes de assinar, o comprador deve solicitar a verificação da titularidade do imóvel, de seu registro imobiliário, de eventuais dívidas, da situação do vendedor e das condições contratuais. Também precisa examinar os custos de transferência, registro e os impostos aplicáveis, incluindo o ITBI, imposto municipal relacionado à transmissão de imóveis.

É necessário prever ainda as despesas de condomínio, o IPTU e os custos de manutenção. Dependendo da situação do comprador, podem existir obrigações fiscais no Brasil e em seu país de residência. Um consultor tributário familiarizado com as regras dos dois países poderá esclarecer as consequências da aquisição e de uma eventual locação.

Por fim, tornar-se proprietário não concede automaticamente o direito de residir ou trabalhar no Brasil. Um projeto de compra e um projeto de mudança para o país devem ser analisados separadamente.

Qual orçamento reservar além do preço anunciado?

O preço do imóvel representa apenas uma parte do investimento. Para determinar o capital necessário, o comprador deve acrescentar as despesas da transação, os eventuais honorários profissionais, os custos de registro e os gastos imediatos relacionados ao imóvel.

Também é importante manter uma reserva financeira para reparos, móveis, equipamentos e despesas condominiais. Se o imóvel for destinado à locação, será necessário incluir os custos de preparação para receber os inquilinos e de administração.

Para quem dispõe de € 60 mil, por exemplo, não seria prudente destinar automaticamente todo o valor ao preço anunciado. O montante disponível para a compra deve ser definido depois da estimativa das despesas e da constituição de uma reserva para imprevistos.

O financiamento também merece ser analisado. As condições de acesso ao crédito para um não residente podem ser diferentes daquelas oferecidas a um residente brasileiro. O comprador deve verificar sua elegibilidade diretamente com as instituições financeiras, em vez de presumir que terá acesso a um empréstimo local.

A melhor estratégia consiste em comparar imóveis da mesma categoria, examinar a documentação jurídica e calcular o custo total em euros antes de assumir qualquer compromisso.

Goiânia: uma possibilidade para diversificar o patrimônio

O interesse por Goiânia não está na promessa de uma valorização rápida. Está na possibilidade de estudar um mercado imobiliário diferente, em uma metrópole regional cuja economia não depende exclusivamente do turismo.

Para um comprador francófono, a aquisição pode atender a diferentes objetivos: ter uma segunda residência, conhecer o Centro-Oeste brasileiro, preparar futuras estadias ou avaliar uma estratégia patrimonial internacional.

A pertinência do projeto dependerá, entretanto, do preço efetivo do imóvel, de sua localização, dos custos de manutenção, das condições cambiais e da facilidade de revenda. O mercado brasileiro envolve riscos, e os resultados passados não garantem resultados futuros.

Uma compra bem-sucedida começa com uma pergunta simples: qual será a finalidade do imóvel? A resposta ajudará a definir o bairro, a área, o orçamento e os critérios de seleção.

E se seu próximo endereço no Brasil fosse em Goiânia?

O Brasil não se resume às praias nem às grandes metrópoles internacionais. Em Goiânia, surge outra maneira de descobrir o país, combinando vida urbana, gastronomia goiana, espaços verdes e acesso a destinos naturais notáveis.

Para um leitor francófono que dispõe de economias em euros, os preços locais merecem ser examinados. As estimativas calculadas com base nas médias de maio de 2026 mostram que um orçamento de algumas dezenas de milhares de euros pode servir como ponto de partida para pesquisar um apartamento, embora o imóvel efetivamente acessível dependa dos anúncios disponíveis e das despesas envolvidas.

O verdadeiro interesse está na possibilidade de transformar a curiosidade em um projeto concreto: comparar bairros, visitar imóveis, verificar documentos e determinar se uma residência em Goiânia corresponde aos objetivos pessoais e financeiros do comprador.

Uma segunda residência no Brasil pode ser, ao mesmo tempo, um projeto imobiliário e uma nova maneira de viver o país. Para quem deseja olhar além dos destinos habituais, Goiânia merece entrar nessa reflexão.

Brasil à Table — O Brasil contemporâneo, visto a partir de Goiás e apresentado ao mundo francófono.

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