O hino nacional brasileiro eleito o mais bonito da Copa do Mundo 2026 pelo New York Times
Entre 48 nações em disputa, The Athletic dá nota 9/10 ao hino do Brasil — e coloca a Inglaterra na última posição
Acontece, às vezes, que a beleza de um país se manifesta não num gol, mas numa melodia. Foi o que proclamou o The Athletic, prestigiosa seção esportiva do New York Times, ao publicar no dia 19 de junho um ranking dos 48 hinos nacionais das seleções presentes na Copa do Mundo 2026. Em primeiro lugar, sustentado por uma introdução orquestral de 28 segundos descrita como “gloriosa”, está o hino nacional brasileiro. Nota: 9 de 10. Veredicto sem margem para dúvida.
O jornalista Tim Spiers, autor do ranking, descreve seu método com uma franqueza desarmante: os critérios são “inteiramente subjetivos”, mas coerentes — emoção transmitida, entusiasmo dos jogadores e das arquibancadas, brevidade relativa, capacidade de provocar aquele arrepio que faz gritar “sim, eu te amo” independentemente da sua nacionalidade. Não é musicologia. É algo mais profundo.

Um hino nascido em 1831, uma glória eterna
O hino nacional brasileiro carrega dois séculos de história. Composto em abril de 1831 por Francisco Manuel da Silva, era originalmente uma obra puramente instrumental. Só com a proclamação da República, no final do século XIX, é que Joaquim Osório Duque-Estrada escreveu a letra — uma letra que a tradição popular se recusou a abandonar apesar das tentativas de reforma. O resultado: um hino que celebra não a guerra ou a conquista, mas a beleza da pátria, “um colosso intrépido”, uma “terra amada”. Num mundo onde quase todos os hinos nacionais evocam batalhas, inimigos e sangue derramado, o Brasil escolhe cantar o amor. E isso se ouve.
Nos estádios da Copa do Mundo 2026 — disputada entre Estados Unidos, México e Canadá — a cena se repete a cada jogo brasileiro: a torcida não espera a música oficial. Ela antecipa, começa antes, prolonga muito depois que o som para. Tim Spiers registra isso com uma ponta de admiração: no jogo de estreia contra o Marrocos no New York/New Jersey Stadium, não houve as lágrimas dramáticas de 2014 em solo brasileiro — “mas provavelmente foi melhor assim.”
A América do Sul domina, a Europa recua
Esse ranking não é só uma consagração brasileira. É um sinal geopolítico musical: a América do Sul ocupa cinco das dez primeiras posições do ranking. A França e sua Marselhesa salvam a honra europeia ao conquistar o segundo lugar — esse “clássico absoluto do gênero”, proibido em seu próprio país diversas vezes ao longo da história. A Escócia, em 5º lugar, surpreende. A Inglaterra, por outro lado, fecha o ranking na 48ª posição — duramente julgada por um jornal com sede em Nova York, que descreve “God Save the King” como algo que “arrasta impiedosamente” e cuja letra, ao contrário de todos os outros hinos da lista, é dedicada a “um senhor de idade.”
Brasil à Table — O Brasil não se explica. Se experimenta.
